quinta-feira, 24 de junho de 2010

No more fear.

Eu costumava me considerar uma pessoa medrosa. Não me refiro a ter medo de altura, de lugares fechados ou de barata, embora essa última realmente me apavore. Era medo da vida, do que viria, do que eu não sabia.

Por exemplo, quando eu era criança, tinha de medo de ficar de recuperação. Meu histórico nerdinho e meus pais simplesmente não aceitariam este fato. Depois, fiquei com medo de mudar de colégio, de deixar meus amigos velhos pra trás e não conseguir fazer amigos novos. Aí veio um dos maiores medos da minha vida: não passar na UFPR. Convenhamos, passar nos vestibulares era certo, mas eu queria a UFPR. Eu queria muito, e também sabia que DEVIA isso pros meus pais, que acreditaram tanto e ficariam extremamente desapontados comigo caso eu não conseguisse. Eu tive medo de terminar um namoro de tanto tempo. Aí veio outro maior medo: intercâmbio. Tive medo de que eu fosse chegar lá e nada desse certo. E eu estaria sozinha, sem ninguém pra me ajudar. Eu nunca tinha ficado sozinha assim antes. Eu tive medo de não arranjar um estágio, não passar em metodologia e não conseguir fazer o TCC, o que acarretaria no atraso da formatura, e eu ainda tenho medo de não conseguir me formar.

Mas meu maior medo agora é ter que virar adulta. Se tudo der certo, eu me formo no fim do ano. Até aí, ok, eu não vejo a hora de acabar mesmo. Mas e aí? Vou terminar a faculdade e fazer o que?

Aí vocês me respondem: VAI TRABALHAR, ué. É isso que os adultos fazem pra ganhar dinheiro.
Pois é, é isso que eles fazem e é isso que eu poderia fazer. Acontece que eu tenho planos maiores do que isso. Eu quero trabalhar, sim, mas eu quero trabalhar numa coisa ESPECÍFICA. Eu adoro meu curso, não quero desperdiçá-lo, mas eu pretendo direcioná-lo pra algo que eu gosto. E é essa parte que me dá medo. Minha preocupação não é sair da faculdade e não arranjar um trabalho. O que me dá medo é que eu não consiga fazer o que eu realmente quero.

Então, voltando ao começo do texto: eu nunca fiquei de recuperação, mudei de colégio e fiz amigos que hoje em dia são MUITO mais amigos que os de antes, eu passei na UFPR, superei o fim do namoro e encontrei outro amor, fui pro intercâmbio sozinha, e quando as coisas deram errado, me virei e resolvi. Arranjei um estágio, passei em metodologia, o tcc tá saindo e eu vou continuar fazendo de tudo pra conseguir me formar. Meus medos acabaram se mostrando desnecessários, mas porque eu não baixei a cabeça pra eles. E por que agora seria diferente?

Eu não me considero mais medrosa, eu não tenho porque achar isso. Já resolvi. Vou deixar de lado o que me prende aqui, e vou atrás do meu sonho, custe o que custar. E sei que vai me custar caro, que não vai ser fácil, que vai exigir muito de mim. Mas eu estou disposta a fazer whatever it takes. E, na pior das hipóteses, se meu plano inicial não der certo, pelo menos não vai ser por falta de tentativa. E eu sei que eu vou ficar bem. Eu sempre dei um jeito, não vai ser agora que eu não vou dar.

Quem não arrisca, não petisca.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Changing.

“To be in a couple, do you have to put your single
self on a shelf?” Carrie Bradshaw
Eu adoro procurar frases de filmes/músicas/seriados. Obviamente não me refiro a essas filosofias porcarias de orkut, do tipo "Enjoy the Ride", "Viva la Vida" e qualquer breguisse (?) desse tipo, essas frases genéricas que se "adaptam" a qualquer reles mortal e não dizem absolutamente nada. Gosto de frases que façam sentido, com as quais EU concorde ou encontre um mínimo de identificação.

Pra ser sincera, a Carrie nunca foi minha personagem preferida em SATC (podem me julgar, mas acho a promiscuidade da Samantha muito mais interessante), mas convenhamos que ela faz várias colocações boas.

Ainda não resolvi se o fato de eu ter criado algum tipo de identificação com essa frase é bom ou ruim. Acho que os dois.

Por um lado, é estranho. Se há um ano atrás eu me visse hoje, não me reconheceria, não entenderia minhas atitudes, e até me julgaria mal. Como assim, de repente eu passei a abrir mão de tantas coisas, mesmo que eu REALMENTE as quisesse? E ainda, mesmo sabendo que a recíproca podia não ser verdadeira?

E aí, milagrosamente, não sei se por maturidade, loucura, ou amor mesmo, eu mudei. Abri mão, sim, de festas, de viagens, de amigos, de (muito) álcool, de aulas, e de tantas outras coisas que eu adorava. Mas fiz tudo isso porque eu quis, não porque me foi pedido. Se há um ano atrás eu me visse, me estranharia, mas hoje eu digo: fiz e não me arrependo. E faria de novo.

Claro, nem tudo são flores. Faço (ou deixo de fazer) por livre e espontânea vontade, mas involuntariamente acabo esperando que o mesmo seja feito por mim. E nem sempre isso acontece. E nessas horas eu tenho que lembrar que pessoas diferentes pensam e agem de maneiras diferentes, e percebo que faço tudo isso não pra receber algo em troca, mas porque eu sou assim, porque eu não consigo não levar em consideração os sentimentos dos outros. Mas se eu dissesse que é fácil, estaria mentindo.

Então, voltando a frase, talvez eu tenha colocado um pedaço do meu "eu" em uma estante, sim. Mas, que fique bem claro, foi apenas um pedaço. Um pedaço um pouco (ok, talvez muito) mais egoísta, um pouco mais festeiro, um pouco mais alcoólico. Coloquei na estante, e estou feliz sem ele, mas não vou me permitir esquecer que ele está la. Talvez fique na memória mesmo, talvez seja reutilizado. Veremos.

Por enquanto eu continuo feliz da vida abrindo mão do que for necessário, e me inspirando em outras frases que eu também tenho algum tipo de identificação:

Carrie : Later that day I got to thinking about relationships. There are those that open you up to something new and exotic, those that are old and familiar, those that bring up lots of questions, those that bring you somewhere unexpected, those that bring you far from where you started, and those that bring you back. But the most exciting, challenging and significant relationship of all is the one you have with yourself. And if you can find someone to love the you you love, well, that's just fabulous.

Samantha Jones: I mean, how often are you happy in your relationship?
Charlotte York: Every day.
Samantha Jones: Every day?
Charlotte York: Well, not all day every day, but yes, EVERY DAY.

Carrie: You have to figure ... if the world's fattest twins can find love, there's hope for all of us. Somewhere out there is another little freak who will love us, understand us, and kiss our 3 heads and make it all better.

Miranda: Smart, yes, sometimes cute, but never sexy. Sexy is the thing I try to get them to see me as after I win them over with my personality.

Carrie : I'm someone who is looking for love. Real love. Ridiculous, inconvenient, consuming, can't-live-without-each-other love.

Carrie: Some people are settling down, some are settling and some people refuse to settle for anything less than butterflies.

Carrie: Honey, if it hurts so much, why are we going shopping?
Samantha: I have a broken toe, not a broken spirit.

Carrie: When I first moved to NY and I was totally broke, sometimes I would buy Vogue instead of dinner. I just felt it fed me more.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Amando Defeitos

"Love is the only shocking act left on the planet."


Ontem fui assistir Idas e Vindas do Amor (ou Valentine's Day, sempre prefiro os nomes em inglês). Confesso que esperava mais, embora minha opinião possa ter sido influenciada pelo meu péssimo humor durante o filme. Sabe como é, meio chato brigar com o namorado e ter que ficar vendo aquele romance água-com-áçúcar durante duas horas.

Bom, levando em conta a situação que eu me encontrava, uma parte do filme me chamou particularmente a atenção: quando os "avós" se encontram no cemitério e dizem que amavam até os defeitos e erros do outro.

Ok, parece óbvio: você tem que amar os defeitos, já que TODO MUNDO tem defeitos. Mas na prática não é tão fácil assim. Por exemplo, ele ronca. No começo é um defeitinho. Aí começa a irritar, irritar, irritar e quando você percebe ele já está dormindo no sofá. Ou a mania de organização dela. Ela implica, mas no começo é só um defeitinho. Quando você percebe já está deixando tudo bagunçado, só pra provocar. E aí vocês brigam.

E é aí que entra aquele negócio de "amar os defeitos". Se você não ama até os defeitos, pode ter certeza que você não vai aguentá-los por muito tempo. Uma coisa que a princípio "não era nada" vai aumentando e tomando proporções tão grandes, até você perceber que aguentar aquilo NÃO DÁ.

Aí você pensa: "ta, mas as pessoas podem mudar". Podem. Mas mudam em alguns aspectos, outros vão sempre continuar. Gente mimada, teimosa, orgulhosa, grudenta. Eles podem até ficar menos mimados, menos teimosos, menos orgulhosos, menos grudentos. Mas dificilmente DEIXARÃO completamente de ser assim. E é claro que são exatamente esses defeitos os que mais incomodam.

E se você não consegue amar esses defeitos que "não saem", pode ter certeza que não é amor. Não de verdade.



Acho que eu só escrevi tudo isso como justificativa, porque eu tenho vários defeitos.
Mas tudo indica que eu encontrei alguém que gosta deles. Lucky me.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Let's try it one more time.

Não sei se esse negócio de blog vai vingar, mas não custa tentar.

Alguns dias atrás, me passaram um site que guarda páginas antigas da internet. É só colocar o endereço e ele te leva de volta ao passado (negro, no meu caso). Eu tinha vários blogs, inclusive um de figurinhas, um do Harry Potter e um sobre Patricinhices (insira sua risada aqui).

Depois de algum esforço, eu lembrei o endereço do meu blog da 7ª série, que obviamente eu não vou colocar aqui, já que eu ainda tenho um mínimo de vergonha na cara. Mas lendo aquilo, só uma coisa me passava pela cabeça: "Como eu era ridícula." Entre testes idiotas e figurinhas pulantes, eu ainda contava as "enormes dificuldades" que eu enfrentava no auge dos meus 13 anos, além de mandar recadinhos "mal-educados" pra um determinado menino - o famoso amor disfarçado de ódio.

Enfim, depois dessa crise de "meu passado me condena", eu parei pra pensar, e ter um blog não parece uma idéia tão ruim. Talvez seja bom ter um lugar pra escrever. Mas talvez eu leia isso daqui 7 anos e pense, mais uma vez, "como eu era ridícula".

Em tempo: Na minha antiga lista de "Eu odeio" (que todos os blogs que se prezavam tinham), o primeiro item era PROPAGANDA. 7 anos depois, look at me: Na faculdade de Relações Públicas, juntinho com os tão adorados publicitários. E até fiz Introdução a PP no último semestre. Irônico, não?