Por exemplo, quando eu era criança, tinha de medo de ficar de recuperação. Meu histórico nerdinho e meus pais simplesmente não aceitariam este fato. Depois, fiquei com medo de mudar de colégio, de deixar meus amigos velhos pra trás e não conseguir fazer amigos novos. Aí veio um dos maiores medos da minha vida: não passar na UFPR. Convenhamos, passar nos vestibulares era certo, mas eu queria a UFPR. Eu queria muito, e também sabia que DEVIA isso pros meus pais, que acreditaram tanto e ficariam extremamente desapontados comigo caso eu não conseguisse. Eu tive medo de terminar um namoro de tanto tempo. Aí veio outro maior medo: intercâmbio. Tive medo de que eu fosse chegar lá e nada desse certo. E eu estaria sozinha, sem ninguém pra me ajudar. Eu nunca tinha ficado sozinha assim antes. Eu tive medo de não arranjar um estágio, não passar em metodologia e não conseguir fazer o TCC, o que acarretaria no atraso da formatura, e eu ainda tenho medo de não conseguir me formar.
Mas meu maior medo agora é ter que virar adulta. Se tudo der certo, eu me formo no fim do ano. Até aí, ok, eu não vejo a hora de acabar mesmo. Mas e aí? Vou terminar a faculdade e fazer o que?
Aí vocês me respondem: VAI TRABALHAR, ué. É isso que os adultos fazem pra ganhar dinheiro.
Então, voltando ao começo do texto: eu nunca fiquei de recuperação, mudei de colégio e fiz amigos que hoje em dia são MUITO mais amigos que os de antes, eu passei na UFPR, superei o fim do namoro e encontrei outro amor, fui pro intercâmbio sozinha, e quando as coisas deram errado, me virei e resolvi. Arranjei um estágio, passei em metodologia, o tcc tá saindo e eu vou continuar fazendo de tudo pra conseguir me formar. Meus medos acabaram se mostrando desnecessários, mas porque eu não baixei a cabeça pra eles. E por que agora seria diferente?
Eu não me considero mais medrosa, eu não tenho porque achar isso. Já resolvi. Vou deixar de lado o que me prende aqui, e vou atrás do meu sonho, custe o que custar. E sei que vai me custar caro, que não vai ser fácil, que vai exigir muito de mim. Mas eu estou disposta a fazer whatever it takes. E, na pior das hipóteses, se meu plano inicial não der certo, pelo menos não vai ser por falta de tentativa. E eu sei que eu vou ficar bem. Eu sempre dei um jeito, não vai ser agora que eu não vou dar.
Quem não arrisca, não petisca.
